Quando o vegetarianismo é um risco alimentar

 

 

Mas já atendi também alguns vegetarianos muito mal-informados. Ainda bem que constituem a minoria. Sua dieta é escassa e desbalanceada. Lembro-me de um jovem praticante de uma religião que proibia a carne. Ele não comia carne exclusivamente por motivos religiosos. Não sabia quase nada sobre alimentação saudável. Era muito magro e doente, e o hemograma revelava uma anemia ferropriva acentuada. Os médicos que o haviam consultado atribuíam seu problema à falta da carne. Ele me procurou desesperado, pois não queria em hipótese alguma voltar a comer carne, como os médicos insistiam em recomendar. Sei, como qualquer nutricionista, que a carne é uma excelente fonte de ferro-heme, cuja absorção é melhor que o ferro não-heme, encontrado nos vegetais. E os médicos não estão errados, do ponto de vista teórico, em indicar a carne contra a anemia por deficiência de ferro. Mas, na prática, há um problema. Já atendi muitos anêmicos por deficiência de ferro (muitos mesmo!) em cuja dieta a carne vermelha era abundante. O fato de comer muita carne não parece proteger contra a anemia ferropriva, que tem uma causa alimentar e fisiopatológica complexa. Este rapaz tinha crises freqüentes de diarréia osmótica devido a uma dieta muito rica em açúcares como sacarose e lactose (usava muito leite condensado, doces, balas, farinhas beneficiadas, etc.). Ao corrigir sua alimentação, retirando as “porcarias”, e acrescentando cereais integrais, gergelim, oleaginosas, levedura de cerveja e, em lugar do açúcar, o melado de cana, a melhora do hemograma foi surpreendente. Não só a anemia melhorou, mas sua saúde geral. E ele ficou especialmente grato por não ter sido preciso comer fígado e carne vermelha -  intragáveis e proibidos para ele.   


     
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