Quando alguns pacientes justificam sua dieta vegetariana com o velho argumento “tenho pena dos bichos”, posso afirmar que estão cobertos de razão. Você faz idéia de quantos animais são mortos diariamente para garantir a carne do seu prato, e como são mortos? Não se trata de morte sem dor ou sofrimento. É um ritual macabro, envolvendo requintes da mais atroz crueldade. Os animais, aterrorizados e relutantes, são violentamente tocados aos tropeções pelo corredor da morte. A matança é desumana, na falta de um adjetivo mais próprio para os bichos. Não há sensibilidade nem compaixão. Nos Estados Unidos, perpetra-se uma carnificina de 500.000 animais mortos cada hora. Comercialmente inúteis se mantidos vivos, milhões de pintos machos recém-nascidos são sacrificados cada dia, esmagados ou sufocados até morrer. São aproveitados economicamente como adubo ou ração para outros animais. Há quem ministre tranqüilizantes aos animais para diminuir a desesperada resistência, facilitando o abate. Dão-se também antibióticos contra infecções. Sem falar nos hormônios ilegais e aditivos conservantes, entre outros produtos químicos. Você inevitavelmente ingere muitas estas sustâncias nocivas ao comer carne, muitas das quais cancerígenas (falamos delas em outros capítulos). No Brasil, como nos Estados Unidos, mais de toda a produção de antibióticos é destinada aos animais e a taxa de infecções por estafilococos resistentes à penicilina saltou de 13% em 1960 para 91% em 1988. O vegetarianismo ajudaria a deter esta barbárie.
|